domingo, 1 de junho de 2008

Origem da Capoeira de Angola

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Pouco se sabe sobre como e quando surgiu a capoeira. Provavelmente ela tenha surgido no Brasil no século XVII, período de revoltas e fugas de escravos, mas só no século XVIII aparecem os primeiros traços escritos. A fonte mais antiga onde se menciona a "capoeira" é do dia 25 de abril de 1789. Trata-se do registro de prisão de Adão, um escravo acusado de ser capoeira. Com o passar dos tempos, os colonizadores perceberam o poder fatal da capoeira, proibindo esta e rotulando-a de "arte negra". Nos anos seguintes, era normal a menção da palavra capoeira nos documentos policiais como motivo de prisão, mas não havia uma definição do termo neste período.

Tudo começou com a chegada dos negros ao Brasil, depois de passarem dias empilhados em navios negreiros, trazendo como única bagagem suas tradições culturais e religiosas. O negro trouxe consigo suas danças e lutas guerreiras que de muita valia veio a se tornar para os escravos fugitivos. Na África, mais precisamente na região de Angola, os negros lutavam com cabeçadas e pontapés nas chamadas "luta das zebras", disputando as meninas das suas tribos com a finalidade de torná-las suas esposas. Na ausência de armas, os negros buscaram nas danças guerreiras sua forma de defesa. Da necessidade de preservação da vida, surgiu à capoeira como um grito de liberdade. Tendo como mestra a mãe natureza, que lhe ensinavam os movimentos, através das brigas de animais, utilizando os coices, saltos e botes, ao mesmo tempo em que, os capoeiristas interagiam com as manifestações culturais trazidas da África. Acredita-se, que a palavra capoeira tenha sua origem dos vãos livres que aqui se abriam no interior das matas, onde os escravos treinavam seus golpes quase acrobáticos, e provavelmente veio daí o nome da luta.

Em 1888 foi abolida a escravatura e com isso muitos escravos foram lançados nas cidades sem emprego e a capoeira foi um dos meios utilizados para a sobrevivência. Alguns ex-escravos passaram a ganhar a vida fazendo pequenas apresentações em praça pública, porém muitos deles utilizaram a capoeira para roubar e saquear. Os marginais brancos também aprenderam a nova luta com o convívio mais direto com os negros e introduziram na sua prática as armas brancas. Formaram-se verdadeiros bandos de marginais aterrorizando a população. Já em 1890, a capoeira foi colocada fora da lei pelo Código Penal da República, que dizia: “Art. 402. Fazer nas ruas e praças públicas exercícios de agilidade e destreza corporais, conhecidos pela denominação capoeiragem; andar em carreiras, com armas ou instrumentos capazes de produzir uma lesão corporal, promovendo tumulto ou desordens, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal, terá como pena: prisão celular de dois a seis meses”. As punições aplicadas eram reclusão na ilha Fernando de Noronha e castigos corporais, tais como chibatadas. Pessoas como o regente Feijó, Sampaio Ferraz e o major Vidigal foram os responsáveis para manter a ordem; tiveram pouco sucesso. Os seus chefes foram encarcerados ou exterminados. Mas a capoeira continuou fazendo o seu trajeto.

A capoeira se espalhou pelo Brasil, porém foram nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco onde se encontravam os maiores comentários entre o povo e a imprensa local. Apesar de reprimida a capoeira continuou a ser praticada e ensinada para as gerações seguintes. Em 1929, ocorreu a quebra da Bolsa de Nova Iorque e a conseqüente crise do capitalismo. O Brasil viveu um momento de ebulição das forças sociais. Com a entrada de Getúlio Vargas no governo do país, medidas foram tomadas para angariar a simpatia popular, entre elas a liberação de uma série de manifestações populares. Para tal, Getúlio Vargas convidou Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba, para uma apresentação no Palácio do Governo. Temendo a popularização da arte - luta, Getúlio Vargas permitiu a abertura da primeira academia de capoeira, que teria um cunho folclórico. Após essa passagem, a capoeira perdeu suas características de luta marginal e vadiagem, visto que para freqüentar a academia de mestre Bimba os indivíduos eram obrigados a ter carteira de trabalho assinada. Grande parte do que se sabe hoje sobre a capoeira praticada pelos escravos foi transmitido pelas gerações de forma oral, visto que "...a documentação referente à época da escravatura foi queimada por Rui Barbosa, Ministro da Fazenda no governo de Deodoro da Fonseca". Enfim, a capoeira ganhou a popularidade estimada por Bimba, e até os dias de hoje vem reunindo adeptos pelo país.

A música e a dança na capoeira

A música é um componente fundamental da capoeira. Ela determina o ritmo e o estilo do jogo que é jogado dentro da roda de capoeira. A música é composta de instrumentos e de canções, podendo o ritmo variar de acordo com o toque de capoeira de bem lento (Angola) a bastante acelerado (São Bento Grande). Muitas canções são na forma de pequenas estrofes intercaladas por um refrão, enquanto outras vêm na forma de longas narrativas (ladainhas). As canções de capoeira têm assuntos dos mais variados. Algumas canções são sobre histórias de capoeiristas famosos, outras podem falar do cotidiano de uma lavadeira. Algumas canções são sobre o que está acontecendo na roda de capoeira, outras sobre a vida ou um amor perdido, e outras ainda são alegres e falam de coisas tolas, cantadas apenas para se divertir. Os capoeiristas mudam o estilo das canções freqüentemente de acordo com o ritmo do berimbau. Este instrumento dita o ritmo do jogo, é ele que comanda o toque a ser executado. A capoeira apresenta diversos toques que são executados de acordo com a ocasião. Desta maneira, é na verdade a música que comanda a capoeira, e não só no ritmo mas também no conteúdo. Por exemplo o Toque Cavalaria era usado para avisar os integrantes da roda que a polícia estava chegando; pela sua vez, a letra é constantemente usada para passar mensagens para um dos capoeiristas, na maioria das vezes de maneira velada e sutil.

Com aspecto de dança utilizada, para enganar os senhores de engenho, que permitiam a prática, julgando-a como uma brincadeira dos escravos. A dança, por sua vez, representada pela ginga, servia para disfarçar a luta dando-lhe um caráter lúdico e inofensivo. A capoeira serviu por muitos anos como instrumento de luta dos escravos. As rodas de capoeira são ritmadas pelo toque de instrumentos e pelas palmas dos capoeiristas. É a única luta do mundo que tem acompanhamento musical. A música é muito importante numa roda, porque capoeira se luta dançando. A música estimula os jogadores, transmite mensagens através de suas letras e contagia a platéia. Antigamente, a capoeira não tinha um estilo único de letras e nem de música, como hoje ainda não se tem, cantavam literatura de cordel, pontos de caboclo, repentes, samba, vaquejada, Boi bumba, música popular e outras que se encaixavam no ritmo. Capoeira é uma arte que engloba várias artes em uma só arte: é uma luta, uma dança, um esporte, um jogo, uma ginástica, uma brincadeira e uma poesia.

Um comentário:

angela disse...

Este assunto é um dos mais belos q conheço e busco conhecer. Amo capoeira, trabalho com capoeiristas e admiro todo aquele q procura acrescentar sobre o assunto. A capoeira faz parte das raízes de todo e qualquer brasileiro, verdadeiramente, brasileiro.