domingo, 10 de fevereiro de 2008

A origem da feijoada

A mais típica das comidas brasileiras é motivo de controvérsias entre os especialistas do assunto. Muitos acreditam que a origem da feijoada seja uma herança dos escravos. Naquela época, a alimentação dos escravos, por sua vez, era escassa e composta basicamente por cereais como o feijão ou o milho. Assim, o feijão misturado com farinha de mandioca ou fubá grosso de milho, antes de ser servido. Os escravos não podiam ser simplesmente maltratados, pois custava caro e era a base da economia. Devia comer três vezes ao dia, ao almoçar às 8 horas da manhã, jantar à 1 hora da tarde e cear das 8 até as 9 horas da noite. Com o tempo os grandes senhores das fazendas, aproveitavam as partes nobres do porco e deixavam o resto para misturar na comida e servir aos trabalhadores. Na senzala, eles aproveitavam as orelhas, focinho, pés, rabo e língua e juntavam-nas ao feijão para que o caldo ficasse mais grosso. Estava feita a feijoada.

Mas a maioria dos especialistas rejeita essa versão e diz que o prato, na verdade, foi trazido para o Brasil pelos portugueses. Portanto, o mais provável é que as origens da feijoada são a partir de influências européias. Alguns crêem que sua origem tem a ver com receitas portuguesas, das regiões da Estremadura do Alto Douro e Trás-os-Montes, onde os feijões de vários tipos, exceto o preto, eram misturados a lingüiças, orelhas e pés de porco – conservados na própria banha do animal – e acrescidos de verduras como couve e repolho rasgados. E ainda há aqueles que afirmam que a feijoada é um prato inspirado em outro prato europeu, como o cassoulet francês, que também leva feijão no seu preparo. A Espanha tem o cozido madrileno. A Itália, a “casoeula” milanesa. Ambos são preparados com grão-de-bico. Aparentemente, tiveram a mesma evolução da feijoada, que foi incrementada com o passar do tempo, até se transformar na obra-prima da atualidade.

No fim das contas, o único fato com que todos concordam é que a adição do feijão-preto ao prato é uma invenção genuinamente brasileira – carioca, especificamente. Hoje, à feijoada, constituida de feijão preto cozido sobretudo com partes do porco (orelhas, rabo, pés etc.) acrescenta-se como acompanhamento a couve refogada com alho, o arroz branco, a farofa de farinha de mandioca, molho de pimenta e laranja fatiada, além de servir porções de torresmo acompanhadas de uma boa caipirinha. A combinação perfeita! Esse incremento foi tão bem aceito que a feijoada logo virou símbolo da culinária nacional.
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Receita - Ingredientes para 10 pessoas

500 g de carne-seca bovina
500 g de costela de porco salgada ou defumada
400 g de lombo de porco defumado ou salgado
200 g de paio
500 g de lingüiça portuguesa
200 g de língua de boi defumada
50 g de pé de porco salgado (opcional)
50 g de orelha de porco salgada (opcional)
50 g de rabo de porco salgado (opcional)
1,5 kg a 2 kg de feijão-preto
300 g de cebola picada
150 g de alho picado
100 ml de azeite extravirgem
6 folhas de louro
2 laranjas com casca
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Modo de preparar

1/Coloque o feijão de molho por dez horas 2/Limpe bem as carnes salgadas (costela, carne-seca e lombo, caso opte pelo salgado), tirando o excesso de gordura e de nervuras. Deixe-as de molho por 24 horas para tirar o sal, trocando a água de três a quatro vezes. Coloque gelo na água, para ajudar a conservar. 3/Ferva as carnes salgadas junto com a língua defumada, em peças inteiras, em fogo alto. De 40 minutos a uma hora depois, desligue e jogue a água fora, para eliminar o excesso de gordura. 4/Lave-as bem e cozinhe-as de novo junto com o feijão, as folhas de louro e as laranjas em metades. Para manter a cor do feijão, use no cozimento a água na qual ele ficou de molho. Se desejar, deixe o pé, a orelha e o rabo de porco na panela por, no máximo, 30 minutos (apenas para dar gosto). 5/Após uma hora, retire as laranjas e coloque a lingüiça, o paio e o lomb (caso opte pelo defumado), todos em pedaços grandes. 6/Após meia hora, teste o grau de cozimento das carnes com um garfo. Vá retirando e reservando as que estiverem no ponto. À medida que a água for secando, vá acrescentando mais água quente. 7/Durante todo o cozimento, tire com uma concha a gordura que aflora na superfície da panela. 8/Em uma frigideira, doure a cebola e o alho no azeite previamente aquecido e coloque uma concha do feijão com seu caldo. Misture bem e deixe cozinhar por um minuto. Coloque essa mistura na panela de feijão. 9/Corte as carnes que estavam reservadas em pedaços pequenos e volte-as para a panela com o feijão. Deixe cozinhar por entre 15 e 20 minutos em fogo brando. Se necessário, corrija o sal. 10/Sirva com arroz branco e couve refogada no azeite.

5 comentários:

Anônimo disse...

É IMPRECIONANTE COMO SEMPRE TEM ALGUEM PARA DESCARACTERIZAR A NOSSA CULTURA,SÓ FALTA ME DIZER QUE O SAMBA SE ORIGINOU DA TARANTELA, AMIGO VOCÊ PECISA LER GILBERTO FREIRE OU DARCY RIBEIRO.

jacaranda disse...

essa conversa de que a feijoada não é uma invenção dos negros e negras escravizad@s no Brasil, não é outra coisa se não mais uma forma de expressão do racismo que é tão arraigado na cultura brasileira.
As elites brasileiras vindas da europa, os portugueses, sempre foram muito pouco criativos e eficientes, tentando imitar ou se subordinando a cultura dos franceses, dos ingleses e por fim dos americanos. Essas elites nunca conseguiram dar uma contribuição real para o desenvolvimento do Brasil e de sua cultura, sempre se contentando em vender o país ao invés de investir em seu desenvolvimento, servindo de exportadores de matérias primas para as potências mundiais. Essas mesmas elites nunca valorizaram o que é produzido dentro do pais, sem apoio nenhum dos diferentes governos brasileiros, pelos verdadeiros trabalhadores brasileir@s, negros e negras, indigenas, e a população verdadeiramente laboriosa.
Essa tentativa de furto da criação da feijoada por parte d@s escravizad@s, insere-se no mesmo contesto das igrejas evangélicas tentarem utilizar a capoeira sem o devido respeito a toda a ancestralidade que permeia a pratica da capoeira, com a retirada do atabaque, dos cantos que louvam os ancestrais e a religiosidade negra africana própria da capoeira.
Enfim essa versão que diz que "a maioria dos especialistas concorda" e muito difícil de ser engolida e muita difícil de ser lida sem uma certa tristeza.


"Os escravos não podiam ser simplesmente maltratados, pois custava caro e era a base da economia."
Gostaria de acreditar que seres humanos não deveriam ser torturados, chibatados nas costas, estuprados por serem seres humanos, não por custarem caro.

Anônimo disse...

QUERIDO AMIGO ANÔNIMO...ANTES DE ESCREVER ALGUMA COISA SOBRE A HISTÓRIA E DE ALGO QUE NÃO CONHEÇA...APRENDA A ESCREVER OK? ISSO É IMPRESSIONANTE!!!
GRATA
MARCELLA

Vitória Stela Costa disse...

Pois eu acho que a receita da feijoada foi os escravos que criou pois li o livro `A Menina Do Feijão Suculento´ se alguem , ñ acredita leia para depois criticar

Vitória Stela Costa disse...

Pois esse jacaranda so critica odeio pessoas asim aff criticando nossa cultura