domingo, 15 de junho de 2008

O que é Candomblé

O candomblé foi levado ao Brasil por escravos nativos da África, na região de Angola, no final do século XVI. Entre as religiões brasileiras o candomblé é considerada a mais pura, é uma religião musical e culturalmente rica, pois sua dança tem papel muito importante nos rituais. O Candomblé é o culto afro que mais preserva as origens africanas em sua integridade, procurando evitar o sincretismo religioso. Para os colonizadores portugueses, as danças e os rituais eram considerados feitiçarias e deveriam ser proibidos. A solução encontrada era rezar para um santo e acender a vela para os orixás. Por isso, o candomblé possui alguns traços do catolicismo.

Os Orixás são os deuses africanos cultuados no candomblé. Alguns são seres primordiais, outros são vistos como ancestrais divinizados dos clãs africanos. Eles estão longe de se parecerem com os santos católicos que um sincretismo arcaico insiste em manter. Ao contrário, eles revelam características humanas, como emoções, vontades e tendências diversas, que os aproximam bastante das pessoas que os têm como patronos. Cada traço da personalidade é associado a um elemento da natureza e de sua cultura. O Àse das forças da natureza é parte do Òrìsà, porque o seu culto é exatamente dirigido a esses poderes: nascimento, vida e morte, saúde, doenças, chuva, orvalho, mata, rio etc. Representam os quatro grandes elementos: fogo, ar, terra e água, e os três estados físicos dos corpos: sólido, líquido e gasoso. Representam ainda os três reinos: mineral, vegetal e animal, além dos princípios masculino e feminino, também presentes em sua representatividade. Tudo isso revela o poder vital, a energia, a grande força de todas as coisas existentes, que é denominada de Àse.Cada Orixás possui seu sistema simbólico: cores, cantigas, danças, rezas, comidas e proibições.

Possessão pelo Orixá

Dentro da liturgia do Candomblé brasileiro, existem alguns homens e mulheres que se transformam possuídos pelos Òrìsà durante os rituais, esses são chamados de Ìyàwó Òrìsà (filho do Orixá) (ìyàwó-esposa) ou Elégún Òrìsà (aquele que é montado pelo Òrìsà) ou ainda, simplesmente, por médium, na terminologia afro-brasileira. Essa possessão é bastante notavel durante as festas públicas nas casas de Candomblé, quando se exibem os toques, as danças e as cantigas rituais para que as divindades se manifestam diretamente na pessoa incorporada.Nessas ocasiões, as pessoas cantam, dançam de maneira diferente, expressam-se verbalmente e os fiéis recebem suas mensagens como vindas daquele Òrìsà que agora está personificado no "medium".

Mas, para receber ou ter esta capacidade de incorporar o Òrìsà, essas pessoas têm de passar por certos rituais de purificação e iniciação para, aí sim, cumpridos os rituais, terem o privilégio de serem consideradas especiais, não importando o sexo, a idade, ou o tempo de iniciação. Pois uma pessoa que possuir capacidade de incorporar o Òrìsà é vista como um escolhido e não existe honraria maior para um adepto do culto do que a capacidade de incorporar um Òrìsà, emprestando o seu Orí àti ara (sua cabeça e corpo) para tornar-se um meio de comunicação direta do Òrìsà com os demais fiéis do culto.

A hierarquia do terreiro

O terreiro mais antigo do Brasil, nasceu na Bahia em Salvador há 450 anos, é conhecido como Engenho Velho ou Casa Branca e fica na Avenida Vasco da Gama.

O abiã é o iniciante, uma espécie de noviço. Participa de rituais até se tornar um iaô, filho-de-santo. Depois de pelo menos sete anos, chega ao posto de ebômi. Ao atingir esse posto, pode ser indicado a algum dos cargos do terreiro:

Iabassê: Mãe das comidas, responsável pela cozinha. Não recebe santo.
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Agibonã: Responsável pela iniciação dos iaôs. Não recebe santo.
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Ialaxê: Cuida das oferendas e objetos de culto aos orixás. Toma conta do terreiro quando o cargo de pai ou mãe-de-santo fica vago. Não recebe santo.
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Baba-quererê ou iá-quererê: Pai ou mãe-pequena, que ajuda no comando do terreiro. Recebe santo.
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Babalorixá e Ialorixá: É a outra forma para se referir a pai-de-santo e mãe-de-santo. São os únicos que jogam búzios.

Os ajudantes

Equedes:
Mulheres que cuidam dos orixás incorporados e os ajudam em suas danças rituais. Não recebem santo.
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Iamorô: Cuida das cerimônias de Exu, um ritual fechado ao público. Exu convoca os orixás para a festa dos humanos. Oferece-se comida e bebida para ele.
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Ogãs: Ajudantes que não recebem o santo. São divididos em: alabês: tocadores de atabaque e Axoguns: responsáveis pelo sacrifício dos animais, que são oferecidos aos orixás pejigãs: tomam conta dos quartos dos santos

Alguns Orixás
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Iemanjá: É a entidade feminina mais respeitada do candomblé. Deusa dos mares e oceanos, recebe muitas oferendas no seu dia, 2 de fevereiro, que são lançadas ao mar. Mãe de todos os orixás, é representada com seios volumosos, que simbolizam a maternidade e a fecundidade. Também pode ser chamada de Janaína, Princesa do Mar, Sereia do Mar, Sereia Oloxum, Rainha do Mar e Dandalunda.

Elemento: água.
Personalidade: maternal e tranqüila.
Símbolo: leque e espada.
Dia da semana: sábado.
Colar: transparente, verde ou azul claro.
Roupa: branco e azul. Sacrifício: porco, cabra e galinha.
Oferendas: peixes do mar, arroz, milho, camarão com coco.

Ogum: Deus da guerra, do fogo e da tecnologia. No Brasil, é conhecido como deus guerreiro. Sabe trabalhar com metal e, sem sua proteção, o trabalho não pode ser proveitoso. É filho de Iemanjá e irmão de Exu.

Elemento: ferro.
Símbolo: espada prateada.
Personalidade: impaciente, obstinado, conquistador e volúvel.
Dia da semana: terça-feira.
Colar: azul-marinho.
Roupa: azul, verde escuro, vermelho ou amarelo.
Sacrifício: galo e bode avermelhados.
Oferendas: feijoada, xinxim, acarajé e inhame.

Oxóssi (ou Odé): Deus da caça, da fartura e da colheita, está sempre descobrindo algo novo. É o grande patrono do candomblé brasileiro.

Elemento: florestas.
Personalidade: intuitivo e emotivo.
Símbolo: rabo de cavalo e chifre de boi.
Dia da semana: quinta-feira.
Colar: azul claro.
Roupa: azul ou verde claro.
Sacrifício: galo e bode avermelhados e porco.
Oferendas: milho branco e amarelo, peixe de escamas, arroz, feijão e abóbora.
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Exu: Orixá mensageiro entre o homem e os deuses, guardião da porta da rua, das esquinas e das encruzilhadas. Todas as cerimônias começam com uma louvação a ele. Só assim é possível invocar os orixás. O lado feminino de Exu é a Pomba-Gira, que dança freneticamente, com cabelos soltos, saias rodadas e flores na cabeça.

Elemento: fogo.
Personalidade: atrevido e agressivo.
Símbolo: ogó (um bastão adornado com cabeças e búzios).
Dia da semana: segunda-feira.
Colar: vermelho e preto.
Roupa: vermelha e preta.
Sacrifício: bode e galo preto.
Oferendas: farofa com dendê, feijão, pimenta, charutos, água, mel e aguardente.

24 comentários:

Anônimo disse...

Eu moro em Cachoeira BA, terra do Candomblé e o que mais vejo é sincretismo. Ex Irmandade da boa morte.

Anônimo disse...
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Joalêde disse...

Se não há nada de construtivo a dizer, é melhor não nem se posicionar. Religião, seja ela qual for, deve ser respeitada.

Anônimo disse...

Pessoas mediucres, são pessoas sem conhecimento, de nada, seja qual for, nem sua propria cultura conhece, por isso entra em sites, e-mails, orkut etc... para tentar denigrir as pessoas que lançam depoimentos e recados nesse meios.
Antes de Tudo, temos que ver a situação da pessoa, pois são pessoas mal amadas e que necesitam de nossa ajuda, e quando naun procuram ajuda, se tornam frustadas. Desejo a todos deste site, muito axé e saravá.

Anônimo disse...

o candomblé é uma merda pior religião do mundo vcs ~estão perdendo o tempo de vcs esses orixas não serve de nada. macumba saravá solta um pum e sai fubá,kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

juli gostei pois mostra um pouco de uma cultura q eu conheço pouco

Anônimo disse...

Não sou fiel do Candomblé, mas respeito muito a religião, aliás respeito todos os religiosos e sua crenças. É uma tristeza constatar o que a ignorância cultural desperta em algumas pessoas, que é justamente o preconceito descabido, num país de multiculturas.

mada_cotonete disse...

DOFONA DE OXUM.
ESTE ESPAÇO É RIQUISSÍMO PARA ADQUIRIR NOVOS CONHECIMENTOS E SANAR DÚVIDAS DE INICIANTES BEM COMO FAZER COM QUE PESSOAS "IGNORANTES" POSSAM TER UM NOVO OLHAR SOBRE A RELIGIÃO.

aleph3 disse...

Olá, amigos;
Bom dia à todos. Noto que a maioria que postam comentários o fazem de forma anônima e isto p/ mim parece demonstrar um certo preconceito, seja a favor ou contra o assunto em questão.

*** Eu achei ótima a explanação e creio que conhecer os costumes e principalmente as tradições religiosas de um povo (sem preconceito) é uma ATITUDE inteligente do internauta...

Anônimo disse...

não sou contra e nem a fovor vc ja reparou pro seu lado . pense e olha agora vc e (feliz)? olha para o mudo e veija que maravilhoso ele é . antes de fazer alguem sofre .. viva a vida com lado possitivo e não negativo; pense . se eu estive errado mim descupar e minha opinião .

Anônimo disse...

Nós seres humanos, somos livres para tudo, em fim meu caro amigo(a), não importa o tipo de religião que você pertença, isto não é nada para dizer, que você é religioso ou não. Pois bem, nos tenho que ser e seguir, fazemos o que gostamos de bem..



Não é por tal motivo, ou preconceito, que vou dizer sobre o que as outras pessoas que não vemos, podemos fala sobre elas de forma inesplital, mas o que devemos fazer para ser feliz, é fazer as pessoas felizes é você doa o que tens, e recebe em dobro, em fim o respeito, é a palavra chave para qualquer assunto dirigido a religião..



obrigado..

yasmin disse...

nao danço candomble, mais respeito muito essa religiao e gosto dos orixas vcs q falam mal gente vamos respeitar a religiao das pessoas se crer em deus nao parece Pq deus nao quer isso pra nimguem sair criticando e julgando a religiao do povo {MAIS RESPEITO AE GENTE FLW}...

MSN: THAYKAPPA@HOTMAIL.COM

CHICO disse...

NUNCA DEVEMOS FALAR MAU SEM CONHECER,TODA RELIGIÃO OU MOVIMENTO CULTURAL É DIGNO DE TODO NOSSO RESPEITO.
FAZER O BEM E PENSAR POSITIVO SEMPRE.
SDS.CHICO

Veraluz disse...

Creio que o problema é SER HUMANO, porque somos nós, humanos, equivocadamente classificados de "dotados de inteligência", que discriminamos, que usamos de soberba para bradar que "minha religião é a boa". Ora, creio que a religião boa é a que nos faz BEM, nos faz melhores como pessoas, que nos ensina a nos preocuparmos com a dor do outro e nos alegrarmos com as conquistas alheias também. TENHO O MÁXIMO ORGULHO DE PERTENCER À NAÇÃO IJEXÁ, embora sempre rezo com prazer e devoção o terço com minha mãe que é católica. Sou Vera de Xangô Agandjú - Rio Pardo-RS

Veraluz disse...

Parabéns pelo conteúdo! Pretendo seguir visitando e aprendendo mais, a exemplo dos outros estudos que faço sobre outros credos. Abração. Vera de Xangô Agandju - Rio Pardo-RS

Anônimo disse...

eu sou catolica mas respeito muito todas essas religioes e acho muito interessante cadomble.o cadomble e um dos simbolos da cultura do brasil

Anônimo disse...

o problema e ser humano que acha que tudo o que faz e melhor do que os das outras pessoas,e tambem falar mau das religiao das pessoas eu sou catolica mas nao tenho preconceito algum com o cadomble e nenhua religiao.todas sa religioes deve ser respeitada.

joelson disse...

Eu sou de Belem do para, e sou iniciante no candonble, mas digo a todos que, o importante e voce se sentir bem no que voce faz, seja ela qual for a religiao.

Anônimo disse...

Cuidado no que falam e no que escreve, pois o tudo que se fala e o que escreve pode ser voltado da mesma forma.

nica disse...

oi ñ conheco esta religião mas gastaria de saber mais

nica disse...

gastaria de saber sobre candblé

O Matuto disse...

Eu sou ateu, porém respeito todas as religiões e crença, pois cada um pratica aquilo que acredita e lhe faz bem, vejo que o candomblé tem seu lado positivo: o pai ou mãe-de-santo, não sai por aí, em público, dizendo que curou enfermos, enriqueceu outros e que se pagar dízimo fica rico! Parabéns por esse povo que não engana ninguém pra arranjar "fiéis" e enriquecer às custas dos incautos (prá mim: tolos).

Veraluz disse...

Bom dia! Como é boa a "liberdade de expressão", não é? Digno apenas de "pena" o "anônimo" que agride dizendo ser uma m... o Candomblé. Falta coragem para se dizer quem é? Aos demais, ricos comentários, com certeza agregam valor ao espaço. Se temos dúvidas, questionemos, porque ninguém tem a verdade absoluta. Mas por favor, muito respeito. Sem agressões. Respeito é a base para os esclarecimentos. Axé para todos.
Sou Vera de Xangô - Nação Jeje-Ijexá - Santa Cruz do Sul-RS

Anônimo disse...

Olá amigo! Ótimo seu blog, mas o candomblé da Casa Branca não tem 450 anos não, vc errou no número, ele é do século XIX. Abração